TIPO 1 E TIPO 2
Enquanto nos casos de diabetes tipo 1a instalação da doença é geralmente rápida, nos casos do diabetes tipo 2 ela se instala lentamente - são necessários alguns anos de condições desfavoráveis para seu surgimento. Se a glicemia de jejum alterada for detectada e o paciente se conscientizar de que precisa mudar o estilo de vida antes da instalação da doença, as chances de ele ficar livre dela são de 70%. Entretanto, se a doença chegar sem diagnóstico prévio de glicemia de jejum alterada, mesmo que o paciente melhore radicalmente seu estilo de vida e mantenha o diabetes sob absoluto controle, os anos e anos de descuido anteriores irão cobrar seus efeitos. Estima-se que 40% dos portadores de diabetes no Brasil
não tenha sido ainda diagnosticados, sendo que parte desses indivíduos pode já estar apresentando as complicações da enfermidade.
Embora ambos os tipos de diabetes mellitus tenham uma fonte componente genético, como veremos adiante, eles diferem na origem. Para simplificar, pode-se dizer que a pessoa já nasce com a predisposição para o diabetes mellitus tipo 1. Esse fato explica o aparecimento desse tipo da doença na infância e na juventude, tendo sido, inclusive, chamado de diabetes infantil ou juvenil no passado. O tipo 1 tem origem com a produção insuficiente de insulina, decorrente do fato de o sistema imunológico do paciente considerar como um corpo estranho as células beta (fabricantes da insulina), passando, então, a atacá-las. Por isso, o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, que se instala à medida que a estrutura de produção de insulina vai sendo minada pelo sistema imunológico.
Já o diabetes tipo 2 é, de certa forma, "adquirido". A predisposição genética existe, mas a doença chamadas fatores de risco (como veremos no próximo capítulo), entre os quais o sedentarismo e a obesidade são os mais relevantes. Pro isso, pode-se dizer que, apesar do componente genético, o diabetes tipo 2 em grande parte decorrer do estilo de vida do paciente. Afinal, "para a chave deve haver fechadura", que nesse caso são a obesidade, o sedentarismo e o acúmulo de gordura abdominal.
O fato de ser desencadeado por vários fatores faz com que a diabetes tipo 2 ocorra com maior frequência na idade adulta. Antigamente ele era considerado uma doença da maturidade, sendo mais frequentes em indivíduos acima de 40 ou até dos 50 anos. Isso porque as condições de saúde iam se deteriorando com a idade favorecendo o surgimento da enfermidade. Antes desse estágio, a doença se, mantinha "escondida" e não se manifestava justamente porque os pacientes levavam uma vida muito mais ativa do que atualmente, com alimentação mais saudável, muitas locomoções a pé e trabalhos manuais que hoje são feitos por máquinas e aparelho entre outros fatores. Com as mudanças alimentares e o estilo de vida sedentário, a doença começou a se manifestar cada vez mais cedo.
A medida que a pessoa envelhece, os processos fisiológicos vão naturalmente perdendo sua eficiência. A insulina não tem a mesma eficácia da juventude por ação da gordura corporal ou simplesmente pelo esgotamento paulatino do pâncreas, desencadeando a doença. No entanto, a idade é o único fator não controlável para o paciente. Se ele se dispuser a controla os demais - alimentação, exercícios físicos, tabagismo etc. -, poderá evitar o surgimento da doença ou ao menos retardá-lo se ela for inevitável, convivendo muito mais facilmente com o diabetes caso ele se instale após a idade madura. Em casos assim, podemos dizer que o paciente terá um diabetes "brando" e de fácil controle.
Embora caracteristicamente o diabetes tipo 1 ocorra na infância e na adolescência e o tipo 2 na idade adulta, no últimos anos têm havido ocorrências ao redor do mundo de casos de diabetes tipo 1 em indivíduos adultos (chamado de início tardio, ou LADA) e diabetes tipo 2 na adolescência ou até na infância(chamado de diabetes de tipo 2 precoce), certamente em decorrência de uma estilo de vida que favorece a obesidade. E, com essa atual epidemia de obesidade infantil, estima-se que aproximadamente 25% dos casos de diabetes tipo 2 ocorram em crianças.
Fonte: Livro "DIABETES"
