FATORES DE RISCO:
Fatores genéticos associados a fatores ambientais contribuem diretamente para aumentar a possibilidade de um quadro de diabetes. Entre esses fatores estão, principalmente, a obesidade e o sedentarismo. Pacientes com dislipidemia (excesso de gordura no sangue), hipertensão arterial (pressão alta) e fumantes apresentam também maior pré-disposição para desenvolver a doença. Deve-se enfatizar, contudo, que o mais importante fator é a obesidade.
OBESIDADE:
A obesidade é o excesso de gordura no corpo, e esse excesso tem papel fundamental no desencadeamento do diabetes tipo 2. Afinal, o acúmulo de gordura constitui uma fonte de produção de hormônios, os quais, ao contrário de outros também produzidos naturalmente no organismo, não são benéficos, levados à corrente sanguínea, podem afetar diferentes partes do organismo, incluindo o pâncreas e a produção e ação da insulina, resultando no aparecimento do diabetes.
Quando essa gordura tem seu depósito predominantemente na região da barriga, dizemos que se trata de obesidade abdominal. E, quanto maior a obesidade abdominal, maior a possibilidade de haver também gordura visceral - aquela que envolve internamente os órgãos. Esse tipo de gordura dificulta a ligação da insulina ao seu receptor - fenômeno conhecido como resistência insulínica. Em outras palavras, ela impede ou dificulta a ação da insulina e a entrada da glicose na célula, onde o açúcar se converte em energia. E, como já vimos, glicose alta no sangue caracteriza o diabetes.
Tecnicamente chamado hiperinsulinemia, o aumento da concentração de insulina na corrente sanguínea tem outros efeito prejudiciais além do diabetes, como estimular maior absorção de água e sal pelo rins, favorecendo o aparecimento de hipertensão arterial. Também estimula o apetite e a formação de novos depósitos de gorduras, por conta da maior ingestão de alimentos, agravando a obesidade.
SEDENTARISMO:
O sedentarismo, por sua ligação estreita com os quadros de obesidade, também se converte em importante fator de risco para o diabetes. Afinal, ao praticar exercícios, a pessoa não só favorece o controle de peso pela queima de calorias, como também a ação da insulina e a captação da glicose pelas células, diminuindo a glicose circulante. Além disso, fazer exercícios melhora, de modo geral, o metabolismo e acarreta uma série de outros benefícios para a saúde.
E por que é bom melhorar o metabolismo? Vamos explicar. Quanto maior a atividade física, maior o gasto de energia do nosso corpo, assim como um carro consome mais combustível sempre que o motorista trafega em velocidades mais elevadas. A diferença é que, ao contrário de uma veículo, no qual o combustível armazenado só passa pelo processo de queima no momento em que é utilizado, os organismos vivos utilizam, de alguma forma, seu combustível o tempo todo, processo que é conhecido como metabolismo. E, quanto menos a pessoa se movimenta, mais "preguiçoso' seu metabolismo se torna, aumentando o risco de várias doenças, inclusive cardíacas.
DISLIPIDEMIA:
A dislipidemia, ou excesso de gordura no sangue, é outro fator de risco. Normalmente ela é associada ao excesso de peso, mas pode surgir em pacientes com IMC considerado normal, lavando a um quadro de colesterol e/ou triglicérides elevados. A presença de gordura no sangue também influencia a ligação da insulina ao seu receptor.
HIPERTENSÃO:
A hipertensão arterial pode levar ao surgimento do diabetes, e o diabetes pode criar um quadro de hipertensão arterial. Por isso, costuma-se dizer que as duas doenças andam juntas. A hipertensão aparece como fator de risco porque normalmente decorre de fatores associados ao surgimento de diabetes, como obesidade, colesterol e triglicérides em excesso, hiperinsulinemia e resistência insulínica.
Já diabetes potencializa o surgimento ou o agravamento do quadro de hipertensão arterial porque uma das características da doença são os danos causados aos vasos sanguíneos. A oxidação causada pelo excesso de açúcar torna os vasos mais rígidos e, portanto, mas sujeitos ao acúmulo de gordura( colesterol "ruim" e triglicérides). Tanto a rigidez quanto o acúmulo de gordura dificultam a passagem do sangue e levam ao aumento da pressão. O mesmo pode ocorrer em virtude dos problemas renais comuns no diabetes.
TABAGISMO:
O cigarro colabora para o aumento da contração muscular, um dos efeitos causados também pelo diabetes. Ou seja, o tabagismo ajuda a agravar um quadro comum na doença. A contração atinge principalmente os pequenos vasos sanguíneos e pode levar a lesões coronárias e cerebrais, além de afetar os olhos e os rins. O principal atingido, entretanto da pressão arterial é causado pelo estreitamento dos vasos.
DIABETES E EVELHECIMENTO:
O processo normal do envelhecimento dificulta o controle do diabetes porque aumenta a resistência do organismo aos efeitos da insulina. Além disso, a perda de massa magra(músculos), decorrência normal do envelhecimento, associada à redução da atividade ajuda a tornar o individuo mais predisposto às complicações do diabetes.
De acordo com o ministério da saúde, o diabetes tipo 2 tem maior incidência entre os idosos (acima de 65 anos), chegando a 21% da população nessa faixa etária. Como a idade é o único fator que não pode ser controlado, quem esta sujeito á doença deve manter o máximo rigor no controle das demais variáveis a fim de evitar ou, pelo menos, atenuar sua evolução.
CARGA GENÉTICA:
Quem mais deve se preocupar com o diabetes é quem possui histórico da doença na família, pois é sabido que essa enfermidade tem um significado componente genético. A doença pode estar relacionada a vários genes diferentes, o que vem dificultando a identificação das causas exatas. Essa herança genética vai aos poucos se modificando, à medida que novos casais se formam. O diabetes mellitus do tipo 2 apresenta características mais clássicas de herança genética.
Os estudos demonstram que, quanto mais pessoas na família estejam envolvidas com o histórico da doença, maiores as chance de sua manifestação. Trata-se de uma herança poligênica (originada a fatores ambientais). Por outro lado, quando a predisposição genética associa-se à presença dos chamados fatores de risco, fica muito mais difícil escapar da doença. É importante repetir o que já foi mencionado anteriormente, dois desses fatores, obesidade e sedentarismo, estão quase sempre associados e quase sempre são os maiores responsáveis pela expansão da enfermidade em todo o mundo. No entanto, são dois fatores controláveis, embora requeiram certo esforço por parte do paciente.
No caso do diabetes tipo 1, contudo, ainda não está de todo clara a relação entre a doença e a herança genética. Pesquisas realizada com gêmeos univitelinos(idênticos) mostram que em quase 100% dos casos em que um irmão teve diagnóstico de diabetes tipo 2 o outro também desenvolveu a doença pouco tempo depois. No caso de tipo 1, essa relação foi de apenas 50%.
O mais provável, mas ainda não comprovado, é que, no caso do tipo 1, os pais transmitam aos filhos alguns genes que disparam a reação imunológica. O processo pode ser acelerado por infecções, alergias ou, ate mesmo condições do ambiente em que a pessoa vive. Normalmente, o processo de agressão do organismo às células produtoras de insulina já existe muito tempo antes do diagnóstico da doença, mas só é possível perceber o quadro de diabetes quando restam menos de 20% dessas células - situação em que a produção de insulina torna-se insuficiente para as necessidades do organismo, levando então, ao aumento da glicemia.
Fonte: Livro "DIABETES"
